Transformação digital na educação e a relação entre gestão, educação e espiritualidade foi o tema do terceiro dia do Auditório Ânima na HSM Expo

No terceiro e último dia do nosso Auditório na HSM Expo 2018, Luiz Carlos Cabrera, pioneiro na prestação e serviços de executive search no Brasil, deu início à programação falando sobre os desafios enfrentados pelas empresas na hora de realizar processos de sucessão em seus conselhos. Cabrera apontou diversas tendências nas sucessões empresariais, como permitir que jovens executivos alçados à presidência possam participar do conselho de outra empresa (desde que não haja conflito) para que possam desenvolver melhor suas habilidades; empresas que, prevendo a necessidade de sucessão do diretor, detectam alguém com o perfil e o colocam no conselho por um ou dois anos, para que possa conhecer mais sobre a cultura e os valores da empresa antes de assumir a presidência; e o executivo Chairman, que assume conselhos em momentos-chave como fusões e aquisições, por exemplo. “É difícil perder a relevância”, ressaltou o palestrante. E completou: “Daí a resistência de muitos presidentes de conselho em abandonar o cargo. Mas, hoje em dia, muitos executivos estão olhando para o ‘cheque especial’ que estão devendo para suas famílias, em termos de tempo dedicado, e começam a se dar conta da necessidade de troca. E, para isso, é fundamental método e processo”.

 

 

Gurusangat Kaur Khalsa, especialista em Kundalini Yoga e Lead Trainer da Aquarian Teacher Trainer Academy, abordou a liderança aquariana. Inspirado em aspectos da Kundalini Yoga, o conceito prega que os líderes devem encarar e transcender os desafios, aprendendo com eles. A travessia de enfrentamento é dolorosa, mas assim são todos os desafios, desde nosso nascimento, lembra Gurusangat. Fugir dos desafios serve apenas para criar adultos infantilizados. Já as pessoas que desenvolvem seu lobo frontal conseguem encarar os desafios como experiências de superação. “Nós estamos um passo atrás, presos na forma reativa ao invés da forma de superação”, acredita Gurusangat. A liderança aquariana, assim como um professor, deve realizar a interação com seus liderados e ser uma presença que acalma. “O grande papel do líder aquariano é o caminhar da vítima – que reage com medo aos desafios -, para o papel do professor”, resume Gurusangat.

Dialogando com Gurusangat, Rafael Ávila trouxe sua experiência como Professor e Líder da área de Inovação da Ânima Educação. “O ambiente corporativo é competitivo e agressivo e demanda que nos comportemos dessa forma”, acredita Ávila. Para ele, as organizações têm nos colocado sob o paradigma da perfeição, exigindo que façamos tudo ao mesmo tempo, e de forma perfeita, o que gera confusão mental e, em alguns casos, depressão, euforia, ansiedade e estresse crônico. O estresse é um fenômeno comum, lembra o Professor, mas deve ser dosado e direcionado para algo produtivo, e não transformado em algo extremo. Ele ressaltou o perigo de se levar esse ambiente de alta competitividade das organizações para dentro das escolas e universidades. Como aluno de Kundalini Yoga, Ávila tem aprendido a cuidar mais de si, dos outros, a trabalhar no sentido de valorizar e buscar um propósito e a qualificar e projetar suas emoções.

Finalizando a programação do Auditório Ânima na HSM Expo 2018, Sílvio Meira, Professor Associado da Escola de Direito da FGV-RJ de Inovação e Empreendedorismo, apontou como a educação está distante da disrupção trazida pelas tecnologias atuais. “O ambiente educacional ainda está no século XVIII”, acredita Meira. “Estamos formando fazedores de provas. Os makers mudam o mundo, mas a educação ainda está na sala de aula”. Meira trouxe diversos exemplos de como as empresas e os governos estão agindo para, a partir da reunião dos dados gerados pelas pessoas no ambiente digital, fornecer melhores soluções em termos de produtos e serviços, o que poderia ser feito também na educação. Uma bicicleta ergométrica conectada, um chip que controla a distância a diabetes de uma criança ou a oferta de sanduíches por meio de um aplicativo que usa os dados do consumidor. Os cenários são múltiplos e, na era da tecnologia 4.0, diversos perfis profissionais desaparecerão. A aposta deverá ser em funções que não sejam substituídas pela automação, e a educação deve acompanhar essa revolução.